Um modelo colaborativo e civilizado de dividir habilidades, racionalizar despesas e, quem diria, gerar riquezas. Essas são as principais características da economia compartilhada, um segmento que promete revolucionar as formas convencionais de negócios e que já vem movimentando US$ 3,5 bilhões todos os anos. Entender quais os princípios deste modelo e como seu negócio pode ser afetado pelas novas tendências é primordial.

Antes de mais nada, vamos entender a origem deste fenômeno.

Com o avanço da internet, das mídias digitais e das redes sociais, sobretudo a partir do século 21, a sociedade experimentou um nível de conexão nunca antes vivenciado. Estabelecemos conexões o tempo todo – na vida pessoal, no trabalho, no lazer, nas atividades culturais, etc. Trocamos informações e dados, ideias e habilidades, gostos pessoais e experiências.

Ora, se o mundo está tão conectado, por que não se aproveitar deste cenário para estabelecer relações de consumo mais sustentáveis e que comportem os diferentes perfis de consumidores?

Esse questionamento, fundamental na economia compartilhada, põe por terra o consumo desenfreado em que vivíamos até então, baseado em compras desnecessárias, transporte individual, excesso de lixo e obsolescência programada dos itens eletrônicos.

Na era do compartilhamento, cinco pilares mudam a chave dos negócios convencionais. É preciso ficar atento a cada um deles!

Reduzir

Você realmente precisa de um novo par de tênis? Que tal doar o seu usado antes de comprar um novo? Na hora de comprar frutas e verduras, você pensa na quantidade ou sempre acaba jogando alguma coisa fora?

O princípio da redução pede que você evite acumular roupas e acessórios em demasia, e ao mesmo tempo evite ao máximo produzir muito lixo. 

O projeto Fruta Feia, em Portugal, segue à risca esse pilar. Ao incentivar as pessoas a comprarem frutas sem valor comercial, mas que estão aptas para o consumo, o grupo ameniza de maneira expressiva a produção de lixo.

Reuso

Você já deve ter visto aplicativos que estimulam as pessoas a trocarem itens que se tornaram inúteis, mas que estão em funcionamento. O exemplo mais clássico é o da bicicleta ergométrica, adquirida quando seus planos de uma vida mais saudável estavam no auge. Aos poucos, ela se torna um porta-toalhas e acaba ocupando muito espaço. Em sites de trocas e desapegos, é possível obter um novo objeto e dar um destino adequado para o seu. Que tal uma bike nova?

Os brechós, que antigamente eram estigmatizados como “lugar de roupa velha”, também estão em alta, e levam adiante o princípio da reutilização.

Reciclagem

Este princípio é um dos mais importantes – afinal, o Brasil produz mais de 78 milhões de toneladas de resíduos por ano e perde bilhões por não reciclar o seu lixo.

Cooperativas de reciclagem, ecopontos, incubadoras criativas, cooperativas de artesãos e a indústria da moda alternativa são os principais atores da redistribuição de resíduos no país. Procure os agentes mais próximos do seu bairro, separe seu lixo e contribua para uma cadeia de destinação mais civilizada.

A reciclagem não se aplica apenas ao lixo, mas também à reapropriação que se faz de outros objetos – como a transformação de garrafas PET em blocos da construção civil.

Reparação

A sociedade do descarte se acostumou a jogar coisas fora. O liquidificador quebrou? Compre outro! O barbeador não funciona mais? Adquira um novo!

Na economia compartilhada, pessoas com diferentes habilidades oferecem seus serviços e cobram por isso em dinheiro ou em outros serviços. Um eletricista, por exemplo, pode arrumar o liquidificador em troca de duas aulas de inglês. Quase tudo tem conserto, e você não precisa ficar acumulando pilhas de equipamentos quebrados em sua casa e muito menos descartar lixo eletrônico de maneira equivocada.

Redistribuição

O último pilar da economia compartilhada sugere que você distribua melhor seus produtos, de maneira a evitar excedentes e acertar as pessoas com as quais fechará negócios. E isso tem tudo a ver com sua empresa!

Ao drenar seus esforços de publicidade para determinado público, por exemplo, você conseguirá atingir consumidores específicos que comprarão em menor quantidade, mas com maior frequência.

Você também pode estudar a adesão a aplicativos que ajudam na logística de entrega ou no mapeamento do público-alvo, além de estimular as trocas de insumos e a produção de embalagens sustentáveis. Os apps de transporte e hospedagem compartilhados, os pioneiros deste novo período, também contribuem para a redistribuição dos modelos individuais.

Como vimos, a economia compartilhada não sugere uma sociedade sem consumo. Ela indica apenas o caminho para um consumo mais consciente, em que mais gente participa, mais gente ganha, e o planeta perde menos.