ipca-exten-banner

Existem vários indicadores oficiais e extraoficiais que aferem a inflação no Brasil – elevação dos preços motivada pelo consumo ou por fatores conjunturais. Entre os mecanismos de aferição da inflação oficial está o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), verificado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Para identificar elevação ou diminuição dos preços, o IBGE leva em conta uma cesta de produtos e serviços utilizados pela média da população que ganha entre 1 e 40 salários mínimos em várias regiões metropolitanas do país. Essa cesta varia conforme os hábitos de consumo da população – ou seja, é provável que os itens contabilizados no Sudeste sejam diferentes dos do Nordeste.

Atualmente, são estudadas as variações nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e dos municípios de Goiânia e Campo Grande.

Para entender como os preços se comportaram, o IBGE toma por base estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionárias de serviços públicos (água e luz, por exemplo) e gastos com comunicação.

Ao final, o IBGE divulga o percentual de inflação ou deflação (redução dos preços) obtido no período. Em junho, por exemplo, o IPCA fechou praticamente estável, com ligeira elevação de 0,01%. Na prática, isso significa que a média dos preços daquelas cestas de que já falamos subiu neste patamar. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação oficial está em 3,37%.

E eu com isso?

O consumidor é afetado direta e indiretamente pelos indicadores inflacionários. No dia-a-dia, a elevação ou redução nos preços é percebida nas gôndolas dos supermercados, na busca por serviços e nas contas de água e luz.

No entanto, a inflação não se restringe ao consumo cotidiano. É com base nestes indicadores que o Banco Central estipula a taxa básica de juros, conhecida por Selic. Se a inflação sobe muito, o BC aumenta a taxa de juros para desestimular o crédito e obrigar o varejo a reduzir seus preços. 

O IPCA também pode nortear as definições salariais de algumas categorias. Quando chega o período de negociação, conhecido por data-base, os sindicatos utilizam alguma variação inflacionária para requerer aumento nos vencimentos. 

Por exemplo: em uma categoria cuja data-base é o mês de junho, é possível pleitear pelo menos 3,37% de reajuste nos salários, que foi a variação obtida neste período, conforme mencionamos mais acima.

Quem aplica o dinheiro em títulos da dívida pública, como o Tesouro Direto, também está acostumado a acompanhar as variações do IPCA para conhecer as remunerações de cada título.

Vale lembrar que o IPCA não é a única fonte de informações sobre a inflação no Brasil. Ele próprio está desmembrado em outros dois indicadores – o IPCA 15 e o IPCA – E, que têm outros dados e usa datas diferenciadas para mensuração de preços. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) é bem conhecido por quem paga aluguel, já que é o principal balizador dos reajustes nos contratos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), também obtido pelo IBGE, leva em conta o padrão de consumo das famílias cuja renda varia entre 1 e 5 salários mínimos. 

Agora, quando você ouvir mais sobre essa sopa de letrinhas que apresenta o retrato temporário da inflação no país, conseguirá entender melhor como cada um dos indicadores funciona.